Trecho extraído do livro Coletâneas de Memórias da Serva de Deus Luísa Piccarreta escrito por frei Bernardino Giuseppe Bucci.

“Antes de terminar as minhas memórias, não posso deixar de expor um episódio clamoroso”. 

“Sempre ouvia falar de um jovem morto e ressuscitado por Luísa. Este episódio foi-me narrado pelo velho cantor cego, no cenáculo da rua Panseri.
Certo dia encontrou-se um jovem morto, estendido no chão em uma poça de sangue. Tendo tomado conhecimento da funesta notícia, a mãe não se precipitou para ver o próprio filho, mas gritando com os cabelos soltos correu rumo à casa de Luísa e, ajoelhando-se diante do seu portão, gritava: «Luísa, mataram meu filho!».
A pequena santa – assim o cantor chamava Luísa – comoveu-se e disse: ‘Vai tomar teu filho, porque o Senhor to restitui’.
A mãe foi ajudada a levantar-se e acompanhada por algumas mulheres piedosas até ao lugar onde o filho jazia morto. Quando viu o filho, sem ter conta dos guardas, a mãe lançou-se sobre o seu corpo, tomou-se nos braços e beijou-o, desesperada como a Senhora das Dores perto da cruz. Mas de repente, o jovem abriu os olhos e disse: «Mamma, sto ca nan pianger» (‘Mamãe, estou aqui, não chores’). Quando ouviu esta narração, toda a assembleia chorou, de maneira especial as mulheres idosas, cujos filhos tinham partido para a guerra.
Algumas vezes – mas de passagem – ouvi narrar este episódio também em casa. Lembro que, certo dia, a tia Rosária pronunciou estas palavras, dirigindo-se a meu pai: ‘Não comeces a dizer determinadas tolices, mas pensa em comer’. Meu pai estava narrando precisamente a história do homem ressuscitado por Luísa a Santa.
Certo dia, na minha paróquia ouvi a senhora Redda, ministra da Ordem Terceira Franciscana, falar deste milagre a um grupo de mulheres. Tendo notado a minha presença, ela pôs imediatamente a mão na boca, repreendendo-se a própria imprudência; de fato, o pároco Pe. Cataldo Tota, que estava ali presente, disse: ‘Certas coisas não se devem dizer em público, enquanto as pessoas interessadas forem vivas’. 
Nunca dei importância a este episódio – narrado sempre em voz baixa – porque me parecia incrível. A tia Rosária jamais quis falar deste tema e quando Divina lhe perguntava algo, ela respondia: ‘Deixa estar estas tolices!’. Compreendi que tanto Luísa como o clero proibia absolutamente que se falasse sobre esse acontecimento.
A narração do velho cego parecia-me demasiado fantasiosa e enquadrada, e mais do que a um fato deveras acontecido assemelhava-se mais cm uma tragédia grega. Precedentemente, nunca quis escrever nada a este respeito, para expor a Serva de Deus Luísa Piccarreta ao ridículo (e também porque considerava que esse episódio fosse apenas fruto de fantasias populares). Depois, quando li uma carta do Beato Aníbal Maria di Francia, em que se confirma o milagre da ressurreição de um jovem morto, julguei oportuno mencionar aqui o fenômeno de que tanto tinha ouvido falar. Com a sua autoridade de santo, o Beato Aníbal confirma que a ressurreição daquele jovem morto teve lugar através das orações de Luísa Piccarreta. Essa carta é datada de 5 de maio de 1927. Poucos dias mais tarde, precisamente no mês de junho desse mesmo ano, o Beato Aníbal morreu serenamente na cidade de Messina”.