Papa São Pio X e Luísa Piccarreta

  O papado de São Pio X durou 11 anos, de 1903 a 1914.

Justamente durante esse período alguns eventos ligados aos escritos de Luísa Piccarreta têm destaque. Em 1903, primeiro ano do papado de São Pio X, Luísa completou a escrita do primeiro volume (de um total de 36 – O Livro do Céu), escrito em obediência ao seu confessor. Este primeiro foi a narrativa de sua vida até aquele momento, 28 de fevereiro de 1899, quando recebeu a ordem para escrever. 

No último ano de Pio X como sucessor de Pedro, em 1914, Luísa completou a escrita do importantíssimo livro “As Horas da Paixão”, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial.

Várias testemunhas relataram que um dia o padre Aníbal Maria di Francia, revisor eclesiástico dos escritos de Luísa, foi à casa dela mais contente do que nunca, e disse que tinha levado o livro ao Santo Padre São Pio X (que já o havia recebido várias vezes em audiência privada).

Padre Aníbal relatou que enquanto lia para o Santo Padre uma das Horas da Paixão (a da Crucificação), foi interrompido pelo Papa que disse: “Assim não, padre. Este livro deve ser lido de joelhos; é Jesus quem fala.”

Em um ato providencial da Suprema Vontade, a frase encorajadora do Santo Padre Pio X levou o então padre Aníbal a, pessoalmente, publicar as quatro primeiras edições de “As 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1915, 1916, 1917, 1921, todas com o Nihil Obstat e o Imprimatur).

O brilhante Pio X

Batizado com o nome de José Melquior Sarto, São Pio X nasceu no dia 2 de agosto de 1835, em um vilarejo na região de Riese, pertencente à diocese de Treviso, ao norte da Itália. Nascido em uma família humilde, desde pequeno, José mostrou ter uma inteligência brilhante, motivo pelo qual seus pais optaram por fazer um enorme esforço para que o menino conseguisse estudar. E assim, José caminhava descalço por vários quilômetros para ir e vir da escola; seu almoço era um pequeno pedaço de pão.

Desde criança, o brilhante José já dizia que queria ser padre e, quando se preparava para ingressar no seminário, seu pai faleceu. Por isso, José quis deixar os estudos para ajudar em casa; porém, sua mãe, cheia de fé e coragem, não permitiu.

José permaneceu, então, no seminário com o coração dividido por causa dos estudos e sua família. Sua mãe, porém, sempre o encorajou a permanecer firme. No seminário, José também se destacou nos estudos demonstrando, mais uma vez, sua inteligência notável.

Ordenação

José Melquior Sarto, o futuro Papa Pio X, foi ordenado sacerdote aos vinte e três anos. Por causa de sua inteligência, vida de oração, humildade e carisma, ele viveu uma ascensão rápida na Igreja. Já no início, foi vice vigário em um vilarejo. Em seguida, o bispo designou-o vigário de uma grande paróquia. Por causa de seu trabalho pastoral marcante, foi nomeado cônego da catedral de Treviso. Depois, foi sagrado bispo da diocese italiana de Mântua. Em seguida, o Papa deu a ele o título de cardeal de Veneza. E, depois do falecimento do Papa Leão XIII, no conclave de 1903, Dom José Melquior Sarto foi eleito papa. Ele aceitou a missão e escolheu o nome de Pio X.

O lema de um santo: “A restauração de todas as coisas em Cristo”

Em poucos anos de pontificado, Pio X garantiu resultados excelentes, práticos e duradouros no que diz respeito à doutrina e disciplina católicas, em face das grandes dificuldades enfrentadas na época. Em 8 de setembro de 1907, Pio X escreveu a famosa Encíclica “Pascendi”, que expõe e condena o sistema do Modernismo.

Em documentos pontifícios anteriores, o Santo Padre redigiu e aprovou decretos sobre o Sacramento da Eucaristia, nos quais recomendava a comunhão diária e permitia a comunhão de crianças a partir dos sete anos de idade, desde que devidamente preparadas. Por isso, ele passou a ser chamado de  “papa da Eucaristia”.

Pio X sempre foi modesto e singelo mesmo quando milagres eram realizados através dele. Foi o que aconteceu durante uma audiência pública, quando um participante mostrou a ele o braço paralisado e lhe pediu que o curasse. O papa se aproximou sorridente, tocou o braço e disse: “Sim, sim”. E o homem ficou curado.

Também uma religiosa que sofria de tuberculose avançada lhe pediu por sua saúde. A única resposta do Papa foi “sim”, enquanto colocava suas mãos sobre a cabeça da religiosa. Naquela mesma tarde, o médico determinou que ela estava completamente curada.

Porém, quando alguém o chamava de “padre santo”, ele corrigia sorrindo: “Não se diz santo, mas Sarto”, em referência ao seu sobrenome de família.

Pio X profetizou a Primeira Guerra Mundial. Disse: “Esta será a última aflição que me manda o Senhor. Com gosto daria minha vida para salvar meus pobres filhos desta terrível calamidade”. A guerra teve início em 28 de julho de 1914. Dias mais tarde, em 20 de agosto, Pio X sofreu uma forte bronquite e morreu. Deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi na pobreza e quero morrer pobre”.

Pio X foi canonizado em 1954 pelo papa Pio XII.

Conheça:

Homília de Canonização de Santo Aníbal Maria di Francia – 16 de Maio de 2004

http://www.vatican.va/content/john-paul-ii/pt/homilies/2004/documents/hf_jp-ii_hom_20040516_canonizations.html