Humilde, e tão forte quanto doce, Pio X é conhecido como o Papa da Eucaristia. E por que não dizer também, o “Papa das 24 Horas da Paixão”. 

Batizado com o nome de José Melquior Sarto, São Pio X nasceu no dia 2 de agosto de 1835, em um vilarejo na região de Riese, pertencente à diocese de Treviso, ao norte da Itália. De família humilde, desde pequeno, José mostrou ter uma inteligência brilhante, motivo pelo qual seus pais optaram por fazer um enorme esforço para que o menino conseguisse estudar. Desde criança, José já dizia que queria ser padre e, quando se preparava para ingressar no seminário, seu pai faleceu. Por isso, José quis deixar os estudos para ajudar em casa; porém, sua mãe, cheia de fé e coragem, não permitiu. 

José Melquior Sarto foi ordenado sacerdote em 1858, aos vinte e três anos. Por causa de sua inteligência, vida de oração, humildade e carisma, ele viveu uma ascensão rápida na Igreja: de vice vigário em um vilarejo à sua eleição como Papa, em 1903.  

Tendo escolhido como lema “Restaurar tudo em Cristo”, em poucos anos de pontificado Pio X garantiu resultados excelentes, práticos e duradouros no que diz respeito à doutrina e disciplina católicas, em face das grandes dificuldades enfrentadas na época, entre elas, o Modernismo.  

Em documentos pontifícios, o Santo Padre redigiu e aprovou decretos sobre o Sacramento da Eucaristia, nos quais recomendava a comunhão diária e permitia a comunhão de crianças a partir dos sete anos de idade, desde que devidamente preparadas. Por isso, ele passou a ser chamado de o “Papa da Eucaristia”.  

Pio X era sempre modesto, mesmo quando milagres eram realizados através dele. Foi o que aconteceu durante uma audiência pública, quando um participante mostrou a ele o braço paralisado e lhe pediu que o curasse. O Papa se aproximou sorridente, tocou o braço e disse: “Sim, sim”. E o homem ficou curado. 

De caráter amável e bondoso, Pio X era também espirituoso. Quando alguém o chamava de “padre santo”, ele corrigia sorrindo: “Não se diz santo, mas Sarto”, em referência ao seu sobrenome de família.  

De paternal solicitude, o Papa São Pio X não dispensava as oportunidades que o Senhor lhe permitia para demonstrar seu afeto, caridade e generosidade a quem necessitasse.  

Bem o pôde dizer outro santo, ainda padre à época: Aníbal Maria Di Francia, quando em 1910, após o terremoto que assolou a cidade de Messina, na Itália, local onde Aníbal mantinha suas obras, o Santo Padre Pio X destinou verba pessoal para a reconstrução do que havia sido perdido. Pio X tinha estima e admirava o padre Aníbal por sua dedicação e cuidado aos órfãos. Certamente foi esta admiração que fez também com que o Santo Padre recebesse pe. Aníbal diversas vezes em audiências privadas.  

Em uma delas, no último ano de Pio X como sucessor de Pedro, em 1914, pe. Aníbal levou ao Santo Padre o importantíssimo livro “As 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo”, escrito por Luísa Piccarreta (1865-1947) – relatos do próprio Jesus a esta Serva de Deus.  

Várias testemunhas relataram que um dia o padre Aníbal, revisor eclesiástico dos escritos de Luísa, foi à casa dela mais contente do que nunca, e disse que tinha levado o referido livro ao Pontífice. Padre Aníbal relatou que enquanto lia para o Santo Padre uma das Horas da Paixão (a da Crucificação), foi interrompido pelo Papa que disse: “Assim não, padre. Este livro deve ser lido de joelhos; é Jesus quem fala.” 

Em um ato providencial da Suprema Vontade, a frase encorajadora do Papa Pio X levou o padre Aníbal a, pessoalmente, publicar as quatro primeiras edições de “As 24 Horas da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1915, 1916, 1917, 1921, todas com o Nihil Obstat e o Imprimatur). 

Foi também o Santo Papa Pio X quem, em 1907, permitiu à Serva de Deus Luísa Piccarreta um privilégio já concedido anteriormente a ela pelo Papa Leão XIII, que a missa pudesse ser celebrada, diariamente, em sua casa (Luísa Piccarreta viveu 62 anos sentada em sua cama, alimentando-se somente da Eucaristia). 

O Santo Papa Pio X profetizou a Primeira Guerra Mundial. Disse: “Esta será a última aflição que me manda o Senhor. Com gosto daria minha vida para salvar meus pobres filhos desta terrível calamidade”.  

A um representante diplomático brasileiro junto a Santa Sé, Pio X disse em maio de 1913: “Sois feliz porque podeis regressar a vosso lar, no Brasil; não sereis testemunha da grande guerra mundial”. 

A guerra teve início em 28 de julho de 1914. Dias mais tarde, em 20 de agosto, Pio X sofreu uma forte bronquite e morreu, tendo como suas últimas palavras: “Resigno-me totalmente”. Deixou escrito em seu testamento: “Nasci pobre, vivi na pobreza e quero morrer pobre”. 

O Papa Pio X foi canonizado em 1954 pelo Papa Pio XII. Seu pontificado durou 11 anos, de 1903 a 1914, e pode ser considerado um dos mais fecundos de toda a História da Igreja.  

São Pio X, rogai por nós! 

(Texto: Eliane Donaire – Depto. Divina Vontade / Fontes: site Divina Vontade – www.divinavontade.com ; livro “O Papa que eu conheci de perto”, Cardeal Rafael Merry Del Val)