Texto: Thomas Fahy / Tradução: Guilherme Santos

A natureza humana consiste em corpo e alma. A alma humana é simples – não é feita de partes, mas tem três poderes: intelecto, memória e vontade. Os sentidos do corpo (visão, audição, olfato, tato e paladar) fornecem informações ao intelecto. A memória retém essa informação. A vontade age sobre essa informação e anima e dirige a pessoa, em resposta a essa informação. A vontade humana é também o princípio vital da natureza humana. Portanto, de forma imediata, fornece vida ao intelecto e à memória da alma, e também ao corpo.

A vida humana se desdobra em uma série contínua de atos humanos individuais, começando com atos humanos infantis, como chorar ou colocar o dedo na boca. Depois temos os atos de uma criança, os atos de um adolescente, de um adulto jovem, até à morte. Até mesmo o piscar dos olhos é um ato humano. Como a vontade humana é livre na escolha do que faz, os atos de uma pessoa podem ser moralmente bons ou moralmente ruins, ou mesmo moralmente indiferentes, de acordo com a consciência e intenção de quem os faz.

A Vida Divina em Deus não tem começo nem fim. Em vez de uma série contínua de atos, a Vida Divina da Santíssima Trindade é gerada em Um, Único, Interminável ato da Divina Vontade, da qual tudo procede. Assim, tudo o que não é a Divina Vontade (exceto o mal moral) é um efeito direto ou indireto da Divina Vontade.

No início da raça humana, a vontade humana foi integrada e fundida com a Divina Vontade, de tal forma que a Divina Vontade agiu na vontade humana para produzir atos divinos. Deste modo, a vida dos primeiros dois humanos, Adão e Eva, era uma vida divina, na qual todos os seus atos foram incorporados e identificados com o Ato Único da Divina Vontade que animava e dirigia toda a atividade desses dois primeiros seres humanos. Neste estado de integração e fusão da vontade humana com a Divina Vontade, a vontade humana era bela e santa com a Beleza e Santidade de Deus, e era constante e forte com a Constância e Força de Deus.

Com a desobediência de Adão, a raça humana se separou da Vida da Divina Vontade, e a humanidade perdeu seu estado original de santidade e beleza divinas, e se tornou fraca, vacilante, inconstante e propensa ao mal. Todo o mal na terra é devido à vontade humana que fez uma cruz com o eixo vertical da Divina Vontade que uniu o Céu e a Terra.

 

A Diferença entre as Línguas da Redenção e a do Reino da Divina Vontade

A linguagem que Jesus usou na Redenção difere grandemente daquela usada para o Reino da Divina Vontade. Na Redenção, Jesus usou uma linguagem adaptada a pessoas que eram espiritualmente fracas e incapazes, usando parábolas e símiles desse mundo humilde e de natureza humana e limitada. Ele falou como um médico que oferece remédios para curar os doentes, ou como um pai esperando o retorno de seus filhos desordeiros, ou como um pastor procurando por sua ovelha perdida, ou como um juiz que, incapaz de atrair homens pelo amor, usa ameaças e medo na tentativa de chamar sua atenção.

Para o Reino da Divina Vontade, Jesus usa uma linguagem muito diferente na comunicação das verdades apropriadas para os filhos deste Reino. Ele fala como pai para crianças saudáveis ​​e ordeiras que o amam muito. Essas crianças são saudáveis ​​e ordeiras porque possuem dentro de si a própria vida de Jesus e, devido ao poder da Divina Vontade, tornam-se capazes de compreender os mais sublimes ensinamentos. Em vez de usar símiles adaptados à terra inferior, Ele apresenta imagens do sol, das estrelas e dos planetas, dos vastos céus. Ele fala da maneira divina de agir, que é o comportamento que atinge o infinito. As almas a quem Ele fala terão sua Divina Vontade dentro delas e o mesmo que criou o sol, as estrelas, os planetas e os céus. Ele fornecerá a essas crianças os próprios modos de ação que Ele mesmo usa em seu trabalho divino e isso os tornará imitadores de seu Criador.

Thomas Fahy fundador e presidente do Centro Luísa Piccarreta para a Divina Vontade Estados Unidos

Thomas Fahy (Foto: arquivo)

Ao transmitir essas sublimes verdades do Reino da Divina Vontade, Jesus usa símiles de natureza divina e é por isso que Ele tem material inesgotável para falar tão longamente. Ele coloca tanta sabedoria, amor, graça e luz nesta linguagem celestial que magnetiza e encanta as almas a ponto de inebriá-las com alegria e o desejo de comunicar esses efeitos felizes aos outros, para que o propósito da Criação possa ser realizado e que seu Pai Celestial possa receber sua glória legítima.

 

Thomas Fahy é fundador e presidente do Centro Luísa Piccarreta para a Divina Vontade (Jacksboro, EUA).